Há épocas em que deseja sair, encontrar pessoas, produzir, viajar, começar projetos.
Em outras, sente vontade de ficar mais quieta, dormir mais, reorganizar a casa ou simplesmente diminuir o ritmo.
Muitas vezes interpretamos essas mudanças como falta de disciplina.
Mas existe outra possibilidade:
talvez o ambiente também participe da maneira como o nosso corpo funciona.
Nós não vivemos fora da natureza
O organismo humano não existe separado do ambiente.
Luz, temperatura, alimentação, atividade física, sono e rotina fazem parte da experiência biológica.
O ciclo menstrual acontece em aproximadamente algumas semanas.
O ritmo circadiano organiza o corpo em torno do dia e da noite.
E as estações do ano marcam mudanças muito maiores na quantidade de luz e nas condições ambientais.
O solstício representa justamente um desses pontos de mudança.
O que acontece durante um solstício?
Existem dois solstícios ao longo do ano.
Um marca o período de maior duração do dia em determinado hemisfério.
O outro, o período de menor duração do dia.
Eles representam extremos do ciclo anual de luz.
E a luz não é apenas uma questão estética.
Ela participa da regulação do nosso relógio biológico.
A exposição à luz durante o dia e a redução da luz à noite ajudam o organismo a organizar ritmos relacionados ao sono e à vigília.
Por isso, observar as estações pode ser uma maneira interessante de começar a perceber que nosso corpo também responde ao mundo ao redor.
O problema começa quando queremos viver sempre no verão
Imagine uma mulher que trabalha o dia inteiro, cuida da casa, administra relações, responde mensagens até tarde e ainda acredita que deveria acordar todos os dias com a mesma energia.
Ela está tentando viver em um verão permanente.
Sempre produzir.
Sempre aparecer.
Sempre resolver.
Sempre estar disponível.
Mas a natureza não funciona assim.
Existe expansão.
Existe recolhimento.
Existe crescimento.
Existe descanso.
O problema não é ter períodos de menor energia.
O problema pode estar em interpretar esses períodos como fracasso.
Quando seu inverno interno encontra o verão externo
Existe uma situação especialmente interessante.
Seu corpo pode estar pedindo recolhimento enquanto o ambiente social está exigindo expansão.
Imagine menstruar em uma época de festas, viagens, compromissos e intensa atividade social.
Talvez você consiga acompanhar.
Talvez não.
E não há nada de errado nisso.
Conhecer seus ritmos não significa usar o calendário como justificativa para abandonar a vida.
Significa perceber que algumas fases exigem mais cuidado para que você não se abandone tentando acompanhar tudo.
Os solstícios podem ser usados como marcos de reflexão
O solstício também pode ganhar um significado simbólico.
O período de maior luz pode nos convidar a olhar para aquilo que queremos colocar no mundo.
O período de menor luz pode favorecer uma pausa para revisar, encerrar e preparar.
Não é necessário acreditar que o solstício provoque diretamente uma determinada emoção.
Podemos simplesmente utilizá-lo como um marcador externo para fazer uma pergunta interna.
O que está crescendo na minha vida?
O que precisa ser encerrado?
Onde estou gastando energia demais?
O que precisa de tempo para amadurecer?
O corpo não precisa acompanhar a velocidade do calendário social
Talvez uma das maiores aprendizagens da ciclicidade seja esta:
nem todo momento é momento de expansão.
A natureza não floresce o ano inteiro.
E uma mulher também não precisa estar permanentemente no auge.
Existe sabedoria em reconhecer o tempo de avançar.
Mas também existe sabedoria em reconhecer o tempo de parar.
Quando começamos a perceber essas diferenças, o objetivo deixa de ser lutar contra as oscilações.
Passa a ser aprender a atravessá-las com consciência.
Porque talvez o equilíbrio não seja manter sempre a mesma velocidade.
Talvez seja saber quando acelerar — e quando permitir que o corpo diminua o passo.

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