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Por Que Tem Dias em Que Você Não Se Reconhece?

 

Você já percebeu que existem dias em que acorda cheia de disposição, ideias e vontade de fazer tudo — e outros em que parece precisar de mais silêncio, mais tempo e menos gente ao redor?

Talvez, em algum desses dias, você tenha pensado:

“Por que estou tão diferente hoje?”

Ou pior:

“Por que não consigo simplesmente ser igual todos os dias?”

Vivemos em uma cultura que valoriza a constância. Espera-se que a mulher esteja igualmente produtiva, disponível, concentrada, sociável e disposta todos os dias.

Mas o corpo feminino não funciona necessariamente em linha reta.

Ele funciona em ciclos.

E compreender essa dinâmica pode mudar a maneira como você interpreta muitas das suas próprias oscilações.

Seu corpo não é igual todos os dias

O ciclo menstrual é muito mais do que o período em que ocorre o sangramento.

Ao longo de um ciclo, diferentes hormônios variam, e essas mudanças fazem parte do funcionamento do organismo.

Para algumas mulheres, essas oscilações são percebidas de maneira bastante clara. Para outras, são mais sutis.

Pode haver mudanças na disposição, no sono, no apetite, na libido, na concentração, na sensibilidade emocional e na necessidade de interação social.

Isso não significa que todas as mulheres viverão as fases da mesma maneira.

E essa talvez seja uma das primeiras coisas importantes a compreender:

não existe uma experiência feminina única do ciclo.

Existe o seu corpo, com sua história, seus hábitos, sua idade, sua saúde e seu próprio ritmo.

Quatro fases, quatro movimentos

Uma maneira interessante de compreender o ciclo é observá-lo como uma sequência de movimentos.

Não como regras rígidas sobre o que você “deve” sentir, mas como uma oportunidade de perceber tendências.

Menstruação: o tempo de recolher

Durante a menstruação, ocorre a eliminação do endométrio que havia sido preparado ao longo do ciclo.

É o momento em que um ciclo termina para que outro possa começar.

Por isso, a imagem do inverno pode ser uma metáfora poderosa.

O inverno não é uma estação improdutiva.

A natureza apenas trabalha de outra maneira.

Da mesma forma, talvez existam momentos em que o corpo peça menos estímulo, menos pressa e mais recuperação.

Em vez de interpretar imediatamente essa necessidade como fraqueza, podemos começar a perguntar:

“O que meu corpo está tentando me mostrar?”

Fase folicular: o movimento de recomeçar

Depois da menstruação, o organismo entra em uma nova etapa.

Os folículos ovarianos começam a se desenvolver e o estrogênio aumenta progressivamente.

É uma fase que muitas mulheres percebem como um período de retomada.

A imagem da primavera ajuda a traduzir esse movimento: algo começa novamente.

Pode surgir maior disposição para iniciar projetos, organizar ideias, estudar, experimentar e colocar coisas em movimento.

Não porque exista uma obrigação biológica de ser produtiva nessa fase, mas porque observar o próprio padrão pode revelar que determinados momentos favorecem determinadas atividades.

Ovulação: o movimento para fora

A ovulação marca um momento central do ciclo.

O organismo libera um óvulo e, ao redor desse período, algumas mulheres percebem mudanças na disposição, na libido, na sociabilidade e na sensação de vitalidade.

É o verão do ciclo como metáfora.

Aquilo que estava sendo preparado internamente começa a se expressar para fora.

É uma imagem bonita porque nos lembra que expansão também faz parte da vida.

Há momentos para recolher.

E há momentos para aparecer.

Fase lútea: o movimento de voltar para dentro

Depois da ovulação, o organismo entra na fase lútea.

É também o período em que muitas mulheres começam a perceber mais intensamente sintomas pré-menstruais.

Sensibilidade, alterações de humor, retenção de líquidos, mudanças no apetite, cansaço ou maior necessidade de descanso podem aparecer.

A imagem do outono ajuda a compreender esse movimento de redução gradual.

As folhas começam a cair.

Nem tudo precisa permanecer.

Talvez essa seja uma boa metáfora para observar a própria vida: aquilo que durante algumas semanas parece perfeitamente tolerável pode começar a incomodar quando estamos mais cansadas ou sensíveis.

E isso pode ser um convite à observação, não necessariamente uma sentença sobre aquilo que precisa ser eliminado.

E se a TPM não fosse apenas “falta de controle”?

A expressão “é só TPM” muitas vezes é utilizada para desqualificar o que uma mulher sente.

Mas também não precisamos cair no extremo oposto de interpretar cada emoção pré-menstrual como uma verdade absoluta revelada pelo corpo.

O mais interessante está no meio:

observar.

Se todos os meses você percebe uma determinada mudança, registre.

Se determinado desconforto aparece repetidamente, observe.

Se sua necessidade de descanso aumenta, perceba.

Depois de alguns ciclos, padrões podem começar a aparecer.

E esses padrões dizem muito mais sobre você do que qualquer calendário genérico.

Conhecer o ciclo não significa viver dentro de quatro caixas

A proposta não é transformar sua vida em uma planilha hormonal.

Nem dizer:

“Hoje estou na fase lútea, portanto não posso fazer isso.”

O ciclo não deve se transformar em mais uma forma de cobrança.

Conhecê-lo serve justamente para diminuir a cobrança.

Talvez você descubra que certas tarefas funcionam melhor quando realizadas em determinados momentos.

Talvez perceba que precisa proteger mais o sono em algumas semanas.

Talvez compreenda por que determinadas situações parecem mais difíceis em determinados períodos.

E talvez, principalmente, pare de interpretar cada mudança como um defeito.

Comece pelo que é mais simples: observar

Você não precisa mudar toda a sua rotina amanhã.

Comece percebendo.

Anote o primeiro dia da menstruação.

Observe seu sono.

Sua disposição.

Seu humor.

Sua concentração.

Seu apetite.

Sua libido.

Sua necessidade de silêncio ou de contato.

Faça isso por alguns ciclos.

Não para encontrar uma fórmula perfeita.

Mas para começar a conhecer a mulher que existe por trás dos números do calendário.

Porque compreender a ciclicidade feminina não significa aprender a controlar o corpo.

Significa aprender a escutá-lo.

E talvez a pergunta deixe de ser:

“Por que eu estou diferente hoje?”

Para se transformar em:

“O que o meu corpo está me contando sobre este momento?”

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