Todo mês, ela chega. Às vezes avisa um dia antes, com um peso no pé da barriga. Às vezes chega de uma vez, no meio de uma reunião, no ônibus, na fila do mercado. E a gente faz o que aprendeu a fazer: toma um remédio, respira fundo e segue. Em tantos anos de consultório, eu ouvi essa história muitas vezes. E aprendi uma coisa: a cólica quase nunca vem sozinha. O útero tem vizinhos O útero fica no centro da pelve, cercado de vizinhos: a bexiga na frente, o intestino atrás, os músculos do assoalho pélvico embaixo, o diafragma lá em cima conduzindo a respiração. Todos conversam entre si o tempo inteiro. Quando o útero contrai na menstruação, essa conversa fica mais intensa. Se a musculatura ao redor já está tensa, se o intestino anda preso, se a respiração está curta e alta no peito, a contração encontra um corpo sem espaço. E dói mais. Por isso tantas mulheres sentem a cólica descer para a lombar, para as coxas, para a virilha. A dor sai do útero pelo caminho dos tecidos. A cólica conta c...
A bandeira de alerta: os sinais que o corpo dá antes da irritação. Antes de perder a paciência, o corpo costuma avisar. Uma respiração que encurta. Uma mandíbula que se contrai. Um aperto no estômago. Os ombros que sobem. Um calor que toma o rosto ou o peito. No meu trabalho, chamo esse primeiro aviso de bandeira de alerta: o sinal que aparece antes da irritação, da tristeza ou da exaustão, muitas vezes antes de a mulher conseguir nomear o que sente. Perceber a bandeira é o primeiro passo. O segundo é entender quando ela aparece, o que vem antes e o que a mulher faz com ela. O corpo se prepara antes de reagirmos. Imagine uma mulher que recebe uma crítica no meio de uma conversa. Ela sorri, responde com educação e diz que está tudo bem. Enquanto isso, a respiração fica curta e alta no peito, a mandíbula aperta, a barriga endurece, o coração acelera. É o organismo se preparando para responder a algo que percebeu como ameaçador ou exigente. Mais tarde, em casa, uma situação pequena provoc...