Durante muitos anos, a dor menstrual foi normalizada no universo feminino. Mulheres aprenderam a trabalhar sentindo dor, estudar sentindo dor, cuidar da casa sentindo dor e até silenciar o próprio sofrimento acreditando que “faz parte ser mulher”. Mas o corpo feminino não produz dor sem motivo. As cólicas menstruais são resultado de contrações uterinas estimuladas principalmente pelas prostaglandinas — substâncias inflamatórias produzidas naturalmente durante o ciclo menstrual. Em excesso, essas substâncias aumentam a intensidade das contrações, diminuem a circulação local e podem desencadear dores intensas na pelve, lombar, quadris e pernas. Em muitos casos, a dor menstrual não permanece apenas no útero. O sistema musculoesquelético também responde. A musculatura do assoalho pélvico entra em estado de defesa, músculos profundos da pelve tornam-se tensos e o corpo começa a criar compensações para lidar com o desconforto recorrente. Com o tempo, podem surgir dores lombares, se...
As doenças ginecológicas congestivas, como a Endometriose , vão muito além de alterações localizadas apenas no útero ou nos ovários. Elas envolvem uma complexa interação entre inflamação, vascularização, aderências teciduais, alterações fasciais e respostas do sistema musculoesquelético, podendo gerar repercussões importantes em toda a região lombopélvica e até mesmo nos membros inferiores. Na endometriose, fragmentos semelhantes ao tecido endometrial se implantam fora do útero, desencadeando processos inflamatórios crônicos. Esse processo favorece congestão vascular, edema tecidual e formação de aderências que diminuem a mobilidade natural dos órgãos pélvicos e dos tecidos ao redor. Com o tempo, essa tensão contínua repercute diretamente sobre músculos, ligamentos, fáscias e articulações da pelve. O corpo passa então a desenvolver mecanismos de compensação. A musculatura do assoalho pélvico tende a permanecer em estado de hiperatividade e proteção constante, enquanto músculos como pir...