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Quando o tratamento também transforma a terapeuta

  Durante muitos anos eu acreditava que minha profissão tinha um lugar muito bem definido. Eu era fisioterapeuta. Depois me tornei osteopata. Meu trabalho acontecia dentro do consultório. Era ali que eu estudava, atendia e buscava ajudar as pessoas. Mas, olhando para trás, percebo que minha trajetória nunca seguiu uma linha reta. Ela foi sendo construída por encontros. Por perguntas. Por curiosidades. Por caminhos que, naquele momento, pareciam não ter nenhuma relação entre si. Primeiro vieram as plantas. Depois a saboaria natural. As feiras de sustentabilidade. Os aromas. Os óleos vegetais. Os estudos sobre comportamento humano. A meditação. O yoga. A radiestesia. Mais recentemente, o modelo Big Five. Cada novo interesse surgia porque eu queria compreender um pouco melhor como as pessoas adoecem... e, principalmente, como elas recuperam sua capacidade de encontrar equilíbrio. Durante muito tempo pensei que estivesse apenas adquirindo novos conhecimentos. Hoje percebo que cada uma ...
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Da Osteopatia à Saúde Integrativa Feminina: uma trajetória construída em rede

  Durante muitos anos, minha atuação profissional esteve centrada na Osteopatia. Sou fisioterapeuta há 35 anos e me dedico exclusivamente à Osteopatia há mais de duas décadas. Ao longo desse percurso, acompanhei inúmeras pessoas convivendo com dores crônicas, limitações funcionais e processos de adoecimento que nem sempre podiam ser explicados apenas por exames ou diagnósticos isolados. Há cerca de 13 anos surgiu a MIMOS Naturais. Inicialmente, parecia um caminho distante da Osteopatia. Afinal, eu saía de um trabalho realizado dentro do consultório para me aproximar do universo da cosmética natural, da sustentabilidade e do cuidado através das plantas. Na época, participei de diversas feiras ligadas ao meio ambiente, produção artesanal e consumo consciente. Foram experiências importantes porque me colocaram em contato direto com pessoas, histórias e necessidades que raramente chegavam até mim no ambiente clínico. Em uma dessas feiras aconteceu um encontro que marcou profu...

Quando a mulher se fragmenta para conseguir existir

  Durante muito tempo, acreditei que precisava separar partes de mim para conseguir comunicar meu trabalho. Criei espaços diferentes para falar sobre corpo, dor, saúde feminina, Osteopatia, cosmética natural, autocuidado, sensibilidade, bem-estar e tantas outras áreas que faziam sentido dentro da minha trajetória. Mas, aos poucos, comecei a perceber algo silencioso e profundamente cansativo: cada uma dessas partes parecia exigir uma versão diferente de mim. Era como se cada espaço pedisse um protagonismo próprio. Uma identidade própria. Uma energia própria. E sem perceber, fui me fragmentando junto. Talvez muitas mulheres também vivam assim. Tentando organizar a própria vida em compartimentos: a profissional, a cuidadora, a mulher forte, a mulher espiritualizada, a mulher produtiva, a mulher que acolhe todos, a mulher que não pode cansar. Como se fosse necessário dividir-se em muitas versões para conseguir dar conta da existência. Mas o corpo não vive em partes. E talvez seja exata...

Nem Todo Odor Vem do Suor

 Muitas mulheres cresceram acreditando que o próprio corpo possui “cheiro forte” naturalmente. Mas nem sempre isso é verdade. O suor humano praticamente não possui odor quando é produzido. A menstruação também não deveria apresentar cheiro intenso ou desagradável de forma natural. Então por que algumas mulheres percebem odores fortes ao longo do dia? Na maioria das vezes, o odor surge da interação entre suor, calor, abafamento, microbiota da pele, tecidos sintéticos, fungos e bactérias naturalmente presentes no corpo. Regiões como virilha, axilas, pés e abaixo dos seios possuem maior umidade e menor ventilação, favorecendo alterações do odor corporal. E muitas vezes o cheiro percebido nem vem da região íntima em si. A transpiração da virilha, associada ao atrito, roupas apertadas e calor, pode produzir um odor forte que acaba sendo confundido com problemas ginecológicos. O corpo humano possui uma microbiota natural — um ecossistema formado por microrganismos que vivem sobre ...

O Que Muitas Mulheres Sofrem em Silêncio

Existem dores que não aparecem em exames. E existem desconfortos que muitas mulheres escondem até de si mesmas. Coceira íntima recorrente, candidíase de repetição, ardência, excesso de sensibilidade e odores fortes afetam não apenas o corpo físico, mas também a autoestima, a segurança emocional e a relação da mulher com sua própria feminilidade. Muitas mulheres passam a evitar roupas específicas, sentem vergonha durante a intimidade, vivem em estado constante de alerta com medo do odor surgir ao longo do dia e carregam silenciosamente a sensação de que há algo “errado” com seus corpos. O sofrimento não está apenas no sintoma. Está no constrangimento, no medo do julgamento e na exaustão emocional de lidar repetidamente com desconfortos que parecem nunca cessar completamente. Ao longo dos anos ouvindo mulheres através da MIMOS Naturais, comecei a perceber que o cuidado íntimo precisava ir além da higiene agressiva e perfumada que o mercado tradicional costuma oferecer. A região ínt...

O Toque Também É Terapêutico

 Durante muito tempo, o autocuidado feminino foi reduzido à estética. Como se cuidar do corpo fosse apenas uma questão de aparência. Mas o corpo feminino responde ao toque de formas muito mais profundas. A pele é o maior órgão do corpo humano e está intimamente conectada ao sistema nervoso. Cada aroma, textura, temperatura e estímulo sensorial produz respostas químicas, emocionais e fisiológicas capazes de influenciar tensão muscular, percepção de dor, estados emocionais e sensação de segurança corporal. Na Osteopatia, compreendemos que o corpo não funciona em partes isoladas. Tecidos, músculos, órgãos, fáscias e emoções se comunicam constantemente. E muitas vezes, um corpo que vive em estado contínuo de tensão também perde sua capacidade de descanso, presença e autorregulação. Foi nesse encontro entre toque terapêutico, plantas medicinais e cuidado feminino que a cosmética natural passou a fazer sentido na minha trajetória. Quando uma mulher aplica um óleo vegetal de forma co...

Quando a cólica não é apenas uma cólica

  Durante muitos anos, a dor menstrual foi normalizada no universo feminino. Mulheres aprenderam a trabalhar sentindo dor, estudar sentindo dor, cuidar da casa sentindo dor e até silenciar o próprio sofrimento acreditando que “faz parte ser mulher”. Mas o corpo feminino não produz dor sem motivo. As cólicas menstruais são resultado de contrações uterinas estimuladas principalmente pelas prostaglandinas — substâncias inflamatórias produzidas naturalmente durante o ciclo menstrual. Em excesso, essas substâncias aumentam a intensidade das contrações, diminuem a circulação local e podem desencadear dores intensas na pelve, lombar, quadris e pernas. Em muitos casos, a dor menstrual não permanece apenas no útero. O sistema musculoesquelético também responde. A musculatura do assoalho pélvico entra em estado de defesa, músculos profundos da pelve tornam-se tensos e o corpo começa a criar compensações para lidar com o desconforto recorrente. Com o tempo, podem surgir dores lombares, se...