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O que a sua cólica está tentando te dizer

Todo mês, ela chega. Às vezes avisa um dia antes, com um peso no pé da barriga. Às vezes chega de uma vez, no meio de uma reunião, no ônibus, na fila do mercado. E a gente faz o que aprendeu a fazer: toma um remédio, respira fundo e segue. Em tantos anos de consultório, eu ouvi essa história muitas vezes. E aprendi uma coisa: a cólica quase nunca vem sozinha. O útero tem vizinhos O útero fica no centro da pelve, cercado de vizinhos: a bexiga na frente, o intestino atrás, os músculos do assoalho pélvico embaixo, o diafragma lá em cima conduzindo a respiração. Todos conversam entre si o tempo inteiro. Quando o útero contrai na menstruação, essa conversa fica mais intensa. Se a musculatura ao redor já está tensa, se o intestino anda preso, se a respiração está curta e alta no peito, a contração encontra um corpo sem espaço. E dói mais. Por isso tantas mulheres sentem a cólica descer para a lombar, para as coxas, para a virilha. A dor sai do útero pelo caminho dos tecidos. A cólica conta c...
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O corpo avisa antes: a bandeira de alerta que vem antes da irritação

A bandeira de alerta: os sinais que o corpo dá antes da irritação. Antes de perder a paciência, o corpo costuma avisar. Uma respiração que encurta. Uma mandíbula que se contrai. Um aperto no estômago. Os ombros que sobem. Um calor que toma o rosto ou o peito. No meu trabalho, chamo esse primeiro aviso de bandeira de alerta: o sinal que aparece antes da irritação, da tristeza ou da exaustão, muitas vezes antes de a mulher conseguir nomear o que sente. Perceber a bandeira é o primeiro passo. O segundo é entender quando ela aparece, o que vem antes e o que a mulher faz com ela. O corpo se prepara antes de reagirmos. Imagine uma mulher que recebe uma crítica no meio de uma conversa. Ela sorri, responde com educação e diz que está tudo bem. Enquanto isso, a respiração fica curta e alta no peito, a mandíbula aperta, a barriga endurece, o coração acelera. É o organismo se preparando para responder a algo que percebeu como ameaçador ou exigente. Mais tarde, em casa, uma situação pequena provoc...

Escutar o Próprio Ritmo: Autoconhecimento Sem Transformar o Ciclo em Mais Uma Cobrança

       Nas últimas semanas, falamos sobre o ciclo menstrual, a menopausa, as estações e os hormônios. Talvez você tenha se reconhecido em alguns trechos. Talvez tenha pensado: “entendi tudo isso, mas o que eu faço com essa informação na minha vida real?” Essa é a pergunta deste texto. Porque conhecer o ciclo não deveria virar mais uma lista de regras. Não se trata de encaixar a sua vida em uma tabela de fases, nem de descobrir o “jeito certo” de se sentir em cada semana. Trata-se de algo mais simples e, ao mesmo tempo, mais profundo: aprender a escutar o seu próprio ritmo. Você não está oscilando demais. Você está viva.      Muitas mulheres crescem acreditando que deveriam ser iguais todos os dias: igualmente produtivas, disponíveis, pacientes e animadas. Quando isso não acontece, a primeira reação costuma ser a cobrança: “o que há de errado comigo?”. Mas o corpo não funciona em linha reta. Sono, energia, apetite, concentração e sensibilidade pode...

Seu Corpo Está Contra Você? O Que os Hormônios Realmente Mudam no Seu Cérebro e no Seu Comportamento.

  “Eu não era assim.” Quantas mulheres já disseram isso sobre si mesmas? “Tem dias em que penso melhor.” “Tem épocas em que quero ficar sozinha.” “Em determinadas semanas fico mais sensível.” “Parece que minha cabeça muda.” Durante muito tempo, essas experiências foram reduzidas a uma explicação simplista: “É hormonal.” Mas dizer que algo é hormonal não explica praticamente nada. O verdadeiro desafio é compreender como as mudanças hormonais conversam com o cérebro e com o restante do organismo. Hormônios não são inimigos Hormônios são mensageiros. Eles participam da comunicação entre diferentes sistemas do organismo e ajudam a coordenar processos fundamentais. Ao longo do ciclo menstrual, estrogênio e progesterona variam. Essas oscilações fazem parte da fisiologia reprodutiva e podem estar associadas a mudanças percebidas por algumas mulheres. Mas existe um cuidado importante: não podemos transformar tendências populacionais em regras individuais. Nem toda mulher terá o mesmo compo...