Durante muito tempo, acreditei que precisava separar partes de mim para conseguir comunicar meu trabalho. Criei espaços diferentes para falar sobre corpo, dor, saúde feminina, Osteopatia, cosmética natural, autocuidado, sensibilidade, bem-estar e tantas outras áreas que faziam sentido dentro da minha trajetória. Mas, aos poucos, comecei a perceber algo silencioso e profundamente cansativo: cada uma dessas partes parecia exigir uma versão diferente de mim. Era como se cada espaço pedisse um protagonismo próprio. Uma identidade própria. Uma energia própria. E sem perceber, fui me fragmentando junto. Talvez muitas mulheres também vivam assim. Tentando organizar a própria vida em compartimentos: a profissional, a cuidadora, a mulher forte, a mulher espiritualizada, a mulher produtiva, a mulher que acolhe todos, a mulher que não pode cansar. Como se fosse necessário dividir-se em muitas versões para conseguir dar conta da existência. Mas o corpo não vive em partes. E talvez seja exata...
Muitas mulheres cresceram acreditando que o próprio corpo possui “cheiro forte” naturalmente. Mas nem sempre isso é verdade. O suor humano praticamente não possui odor quando é produzido. A menstruação também não deveria apresentar cheiro intenso ou desagradável de forma natural. Então por que algumas mulheres percebem odores fortes ao longo do dia? Na maioria das vezes, o odor surge da interação entre suor, calor, abafamento, microbiota da pele, tecidos sintéticos, fungos e bactérias naturalmente presentes no corpo. Regiões como virilha, axilas, pés e abaixo dos seios possuem maior umidade e menor ventilação, favorecendo alterações do odor corporal. E muitas vezes o cheiro percebido nem vem da região íntima em si. A transpiração da virilha, associada ao atrito, roupas apertadas e calor, pode produzir um odor forte que acaba sendo confundido com problemas ginecológicos. O corpo humano possui uma microbiota natural — um ecossistema formado por microrganismos que vivem sobre ...