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Quando o tratamento também transforma a terapeuta

 



Durante muitos anos eu acreditava que minha profissão tinha um lugar muito bem definido.

Eu era fisioterapeuta.

Depois me tornei osteopata.

Meu trabalho acontecia dentro do consultório.

Era ali que eu estudava, atendia e buscava ajudar as pessoas.

Mas, olhando para trás, percebo que minha trajetória nunca seguiu uma linha reta.

Ela foi sendo construída por encontros.

Por perguntas.

Por curiosidades.

Por caminhos que, naquele momento, pareciam não ter nenhuma relação entre si.

Primeiro vieram as plantas.

Depois a saboaria natural.

As feiras de sustentabilidade.

Os aromas.

Os óleos vegetais.

Os estudos sobre comportamento humano.

A meditação.

O yoga.

A radiestesia.

Mais recentemente, o modelo Big Five.

Cada novo interesse surgia porque eu queria compreender um pouco melhor como as pessoas adoecem... e, principalmente, como elas recuperam sua capacidade de encontrar equilíbrio.

Durante muito tempo pensei que estivesse apenas adquirindo novos conhecimentos.

Hoje percebo que cada uma dessas experiências também estava me transformando.

A terapeuta que iniciou sua carreira há mais de trinta anos já não é a mesma.

Continuo acreditando profundamente na Osteopatia.

Mas hoje compreendo que nenhuma técnica, por mais eficiente que seja, explica sozinha a complexidade da vida.

Cada paciente chega trazendo muito mais do que um sintoma.

Chega com medos.

Com hábitos.

Com histórias.

Com relações.

Com crenças.

Com uma maneira muito particular de enfrentar o sofrimento.

E isso também exige transformação de quem cuida.

Talvez seja por isso que uma paciente, a quem vou chamar de Mimosa, tenha me marcado tanto.

Nossa história começou antes mesmo de nos conhecermos.

Ela havia comprado um Sabonete Íntimo Natural de Barbatimão da MIMOS Naturais meses antes de procurar meu consultório para tratar dores menstruais intensas.

Naquela época eu não fazia ideia de que aqueles dois caminhos — a Osteopatia e a MIMOS — voltariam a se encontrar através dela.

Ao longo dos meses, acompanhamos não apenas a melhora das dores, mas também mudanças relacionadas à confiança, ao autocuidado e à forma como ela enfrentava os desafios da própria vida.

Em determinado momento, compartilhei com ela uma avaliação comportamental baseada no modelo Big Five para ajudá-la a construir estratégias de autocuidado mais compatíveis com seu jeito de funcionar.

Foi então que percebi algo curioso.

Enquanto ela descobria novas formas de cuidar de si, eu também confirmava que meu próprio trabalho havia mudado.

Hoje não consigo mais separar completamente aquilo que aprendi na Osteopatia daquilo que aprendi com as plantas, com os aromas, com o comportamento humano ou com as inúmeras mulheres que passaram pela minha vida.

Tudo isso passou a fazer parte da mesma rede.

Talvez seja essa a maior transformação.

Descobrir que cuidar não significa acumular técnicas.

Significa continuar aprendendo.

Porque, no fim das contas, todo tratamento verdadeiramente humano transforma quem recebe o cuidado.

Mas também transforma, um pouco mais, quem escolheu cuidar.


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