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Quando a mulher se fragmenta para conseguir existir

 

Durante muito tempo, acreditei que precisava separar partes de mim para conseguir comunicar meu trabalho.

Criei espaços diferentes para falar sobre corpo, dor, saúde feminina, Osteopatia, cosmética natural, autocuidado, sensibilidade, bem-estar e tantas outras áreas que faziam sentido dentro da minha trajetória.

Mas, aos poucos, comecei a perceber algo silencioso e profundamente cansativo:
cada uma dessas partes parecia exigir uma versão diferente de mim.

Era como se cada espaço pedisse um protagonismo próprio.
Uma identidade própria.
Uma energia própria.

E sem perceber, fui me fragmentando junto.

Talvez muitas mulheres também vivam assim.
Tentando organizar a própria vida em compartimentos:
a profissional,
a cuidadora,
a mulher forte,
a mulher espiritualizada,
a mulher produtiva,
a mulher que acolhe todos,
a mulher que não pode cansar.

Como se fosse necessário dividir-se em muitas versões para conseguir dar conta da existência.

Mas o corpo não vive em partes.

E talvez seja exatamente por isso que tantas mulheres se sintam exaustas mesmo quando aparentemente estão “fazendo tudo certo”.

Existe um cansaço que não vem apenas do excesso de tarefas.
Ele nasce da desconexão interna.
Da sensação constante de precisar sustentar múltiplas identidades ao mesmo tempo.

Com o tempo, comecei a perceber que tudo aquilo que eu tentava separar possuía uma origem comum:
o cuidado integrativo do corpo feminino.

A Osteopatia me ensinou a escutar os tecidos.
A botânica me aproximou dos ciclos naturais do corpo.
O autocuidado me mostrou a importância do toque e da presença.
E as experiências pessoais me fizeram compreender o quanto muitas mulheres vivem afastadas de si mesmas.

Nada estava realmente separado.

Era apenas o mesmo olhar se manifestando de formas diferentes.

Talvez amadurecer também seja isso:
parar de criar novas versões de si para finalmente integrar quem já se é.

Hoje compreendo que nem tudo precisa virar produto, posicionamento ou nova identidade profissional.
Algumas experiências existem apenas para sustentar nossa própria presença no mundo.

E talvez uma das maiores violências silenciosas da vida moderna seja ensinar mulheres a se fragmentarem para conseguirem funcionar.

O corpo feminino, porém, continua tentando fazer o caminho contrário.
Ele busca integração.
Coerência.
Presença.
Respiração.

Talvez o verdadeiro autocuidado comece quando a mulher para de tentar sustentar tantos personagens e se permite voltar para o próprio centro.

Continue sua leitura

  1. O Corpo Feminino Compensa Aquilo Que a Dor Silencia
  2. Da Osteopatia à Botânica: Onde a dor pélvica encontra o cuidado natural
  3.  Quando a cólica não é apenas uma cólica
  4.  O Toque Também É Terapêutico
  5. O Que Muitas Mulheres Sofrem em Silêncio
  6. Nem Todo Odor Vem do Suor

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