Mas o corpo feminino não produz dor sem motivo.
As cólicas menstruais são resultado de contrações uterinas estimuladas principalmente pelas prostaglandinas — substâncias inflamatórias produzidas naturalmente durante o ciclo menstrual. Em excesso, essas substâncias aumentam a intensidade das contrações, diminuem a circulação local e podem desencadear dores intensas na pelve, lombar, quadris e pernas.
Em muitos casos, a dor menstrual não permanece apenas no útero. O sistema musculoesquelético também responde.
A musculatura do assoalho pélvico entra em estado de defesa, músculos profundos da pelve tornam-se tensos e o corpo começa a criar compensações para lidar com o desconforto recorrente. Com o tempo, podem surgir dores lombares, sensação de peso pélvico, tensão nos quadris, fadiga muscular e irradiações para os membros inferiores.
A pelve não funciona de forma isolada dentro do corpo feminino. Os órgãos pélvicos são sustentados por uma complexa rede de ligamentos, fáscias e estruturas musculares intimamente conectadas ao sistema musculoesquelético. Útero, ovários, bexiga e intestinos compartilham relações mecânicas contínuas com a lombar, o sacro, os quadris e os músculos profundos da pelve.
Isso significa que todo movimento do corpo repercute na região pélvica — e o contrário também é verdadeiro.
Quando existe tensão, inflamação ou congestão nos tecidos pélvicos, o corpo adapta sua biomecânica numa tentativa constante de proteger a região dolorosa. A marcha muda, músculos entram em estado de defesa, a mobilidade da lombar e dos quadris se altera e novas compensações começam a surgir.
Da mesma forma, alterações posturais, sobrecargas musculares, estresse físico e restrições de movimento também podem aumentar tensões sobre a pelve e intensificar dores menstruais já existentes.
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