Durante muitos anos, minha atuação profissional esteve centrada na Osteopatia.
Sou fisioterapeuta há 35 anos e me dedico exclusivamente à
Osteopatia há mais de duas décadas. Ao longo desse percurso, acompanhei
inúmeras pessoas convivendo com dores crônicas, limitações funcionais e
processos de adoecimento que nem sempre podiam ser explicados apenas por exames
ou diagnósticos isolados.
Há cerca de 13 anos surgiu a MIMOS Naturais.
Inicialmente, parecia um caminho distante da Osteopatia.
Afinal, eu saía de um trabalho realizado dentro do consultório para me
aproximar do universo da cosmética natural, da sustentabilidade e do cuidado
através das plantas.
Na época, participei de diversas feiras ligadas ao meio
ambiente, produção artesanal e consumo consciente. Foram experiências
importantes porque me colocaram em contato direto com pessoas, histórias e
necessidades que raramente chegavam até mim no ambiente clínico.
Em uma dessas feiras aconteceu um encontro que marcou
profundamente minha trajetória.
Uma das palestrantes do evento visitou meu espaço e se
interessou pelo Sabonete Íntimo Natural de Barbatimão que eu produzia.
Conversamos brevemente e ela perguntou se eu teria interesse em fornecer
algumas amostras para serem sorteadas ao final de sua palestra.
Era a Dra. Débora Rosa.
Naquele momento eu não imaginava que aquela conversa daria
origem a uma parceria que atravessaria muitos anos.
A afinidade profissional surgiu naturalmente. Enquanto ela
acompanhava mulheres em sua prática ginecológica, eu observava em consultório
os impactos musculoesqueléticos, posturais e funcionais de muitos problemas
ginecológicos.
Nossos olhares se complementavam.
Com o tempo, outras ginecologistas passaram a conhecer a
MIMOS Naturais, utilizar os produtos e encaminhar mulheres em busca de
abordagens integrativas para suas queixas.
Foi através dessas conexões que comecei a ouvir mais
profundamente histórias de mulheres convivendo com cólicas incapacitantes,
dores pélvicas persistentes, endometriose, desconfortos íntimos recorrentes e
uma sensação constante de não serem completamente compreendidas.
Essas experiências despertaram uma inquietação profissional.
Eu queria compreender melhor como a Osteopatia poderia
contribuir para essas mulheres.
Foi então que iniciei uma pesquisa voltada para os
benefícios da Osteopatia em mulheres com dores menstruais associadas à
endometriose.
Desenvolvi um protocolo baseado na avaliação global do
corpo, associado a técnicas voltadas para mobilidade tecidual, melhora da
circulação local e redução das restrições presentes na região pélvica.
Os resultados observados foram extremamente significativos.
Mas talvez o aprendizado mais importante não tenha surgido
apenas dos protocolos ou das técnicas.
Ele nasceu da compreensão de que nenhuma mulher pode ser
reduzida ao seu diagnóstico.
Por trás de cada sintoma existe uma história.
Por trás de cada dor existe uma trajetória.
E por trás de cada processo de cuidado existe uma rede de
pessoas, conhecimentos e experiências que se encontram para tornar a
transformação possível.
Foi assim que compreendi que Osteopatia, botânica,
autocuidado, comportamento e saúde feminina não eram caminhos separados.
Eram diferentes expressões de um mesmo propósito: cuidar da
mulher de forma integrada.
Continue explorando os artigos da série Saúde Integrativa Feminina.:
- O Corpo Feminino Compensa Aquilo Que a Dor Silencia
- Da Osteopatia à Botânica: Onde a dor pélvica encontra o cuidado natural
- Quando a cólica não é apenas uma cólica
- O Toque Também É Terapêutico
- O Que Muitas Mulheres Sofrem em Silêncio
- Nem Todo Odor Vem do Suor
- Quando a mulher se auto fragmenta para conseguir existir


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