Durante décadas, muitas mulheres aprendem a contar o tempo pelo próprio corpo.
A menstruação chega.
Passa.
Volta.
O ciclo muda.
Os sintomas aparecem.
E, de alguma maneira, aquele movimento mensal funciona como uma espécie de marcador interno.
Até que um dia ele começa a mudar. Os ciclos ficam irregulares.
Os sintomas se transformam.
A menstruação desaparece.
E surge uma pergunta que poucas mulheres foram preparadas para fazer:
“Como vou entender meu corpo agora?”
A menopausa não acontece de um dia para o outro
A menopausa é definida retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruar.
Mas a transição até esse momento pode começar muito antes.
É o climatério, período em que o funcionamento ovariano passa por mudanças e as oscilações hormonais podem se tornar mais perceptíveis.
Sono, temperatura corporal, humor, sexualidade, pele, composição corporal e outros aspectos podem mudar.
E cada mulher atravessa essa fase de maneira diferente.
Por isso, não existe uma experiência única da menopausa.
Existe a sua.
O fim da menstruação não é o fim do corpo feminino
Existe uma ideia cultural muito dolorosa de que a mulher perde alguma coisa essencial quando deixa de menstruar.
Como se a juventude tivesse um prazo.
Como se fertilidade fosse sinônimo de valor.
Como se o corpo feminino só fosse importante enquanto pudesse reproduzir.
Mas a vida não termina quando uma função biológica termina.
Ela se transforma.
A menopausa pode ser compreendida justamente como uma dessas grandes transições.
Não como um desaparecimento da mulher que você foi.
Mas como o início de uma nova relação com a mulher que você está se tornando.
Se o relógio mudou, a escuta precisa mudar também
Durante a vida reprodutiva, a menstruação oferece uma referência muito concreta.
Depois dela, essa referência deixa de existir.
Isso pode ser desconcertante.
Mas talvez o convite seja trocar o calendário pela observação.
Como está seu sono?
Como está sua energia?
Como seu corpo reage ao exercício?
Como está seu humor?
Como você está se alimentando?
Como estão seus músculos e ossos?
Como está sua sexualidade?
Como você tem se relacionado com seus próprios limites?
A pergunta deixa de ser apenas:
“Em que fase do ciclo estou?”
E passa a ser:
“Como está o meu corpo hoje?”
Cuidar da menopausa é cuidar do futuro
Essa fase também exige atenção concreta à saúde.
A redução dos hormônios ovarianos pode estar relacionada a mudanças na massa óssea, na composição corporal e em diferentes aspectos metabólicos.
Por isso, movimento, treinamento de força, alimentação adequada, sono e acompanhamento profissional ganham importância.
Quando necessário, tratamentos médicos também podem fazer parte desse cuidado.
Não existe contradição entre uma visão integrativa e o acompanhamento médico.
Pelo contrário.
Cuidar integralmente significa olhar para diferentes dimensões do organismo sem transformar nenhuma delas em explicação única.
Talvez você não tenha perdido seu relógio interno
Talvez esteja aprendendo a usar outro.
A ciclicidade feminina não precisa terminar quando termina a menstruação.
Ela pode ganhar outra escala.
A mulher continua atravessando períodos de expansão e recolhimento, criação e pausa, transformação e integração.
A diferença é que agora ela pode aprender a reconhecer esses movimentos sem depender exclusivamente do sangramento como marcador.
A menopausa não precisa ser uma passagem silenciosa para o desaparecimento.
Pode ser uma oportunidade de reencontro.
Com o corpo.
Com os limites.
Com os desejos.
Com a própria história.
E, principalmente, com uma pergunta que talvez tenha sido adiada durante muitos anos:
“Como eu quero viver esta próxima fase da minha vida?”

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